Como os leitores podem perceber, tendo a escrever de forma muito crítica aos conceitos e valores da sociedade atual, e especialmente das novas gerações (Z ou Millenials).
Num dos artigos cheguei a ponderar se era eu que estava ficando velho, ou se nós tínhamos motivos de preocupação por causa de uma piora real ética e intelectual no Brasil.
Lembrei do meu avô Helvio (e muitas vezes do meu pai Walter também). A visão que eu tinha dele era de uma pessoa rígida ao extremo, antiquado na percepção do mundo real. Naquela época, não valorizava seus conselhos, achava que boa parte deles não era útil. Acreditava que o mundo havia mudado, e que a modernidade alteraria a forma de se relacionar para que tudo ficasse mais simples e eficiente.
Eu realmente achava que ele estava ultrapassado. Mas, na realidade, era impossível que eu estivesse mais equivocado.
Primeiro, há de se entender que, apesar de todo o processo de destruição da educação brasileira, e do emburrecimento geral da nação, o ser humano continua o mesmo, em relação aos últimos milênios. Continua egoísta, capaz de matar, ambicioso, viciado em poder, indigno de confiança, etc.
Ou seja, ainda que a tecnologia tenha mudado, nossos valores éticos, chave para a melhoria social, continuam os mesmos. Isso faz com que os conselhos dos mais antigos se tornem presentes atualíssimos, e que basta se adaptar, ouvi-los e tentar, com a humildade de jovem que pouco ou nada sabe, compreender a visão e mentalidade de quem já viveu bastante.
Sou grande admirador do povo uruguaio também em virtude disso. Eles veneram os mais velhos, não há um encontro de família em que os mais antigos estejam sozinhos num canto. Todos os mais jovens os rodeiam, para trocar e aprender sobre a vida.
Um exemplo de ensinamento, que antes eu pensava uma coisa, e hoje penso outra – Até onde você quer chegar na carreira? Pretendes atingir a grandeza, ou até o gigantismo profissional?
Daí vem a pergunta chave: – Estás disposto a pagar o preço para obter isso? Menos momentos com família e amigos? Menos diversão e mais investimento?
Qualquer pessoa tem a capacidade de chegar aonde quiser, mas somente se estiver disposta a pagar o custo disso.
De repente, percebemos que ganhamos experiência, e começamos a entender que nem tudo que brilha é ouro, e que precisamos equilibrar a nossa receita de viver. Já se foi o tempo em que eu achava que o objetivo era ser grande, impactante. Hoje prefiro ser um bom pai, dando o exemplo através de muito trabalho, mas sempre presente para os filhos, melhorar a qualidade de vida, aproveitar os anos que vem pela frente, me desenvolver intelectualmente, manter a saúde em dia e me divertir com os amigos.
Cada um faz as suas próprias escolhas. E colherá de acordo com o que plantar, e também decidir quem vale a pena cativar.
Afinal, somente haverá sentido se, ao chegar o momento em que estivermos prestes a partir para o outro lado, quando o dinheiro e o prestígio não farão mais diferença alguma, pudermos olhar para trás e dizer: Valeu.
Não espere esse momento chegar. Carpe Diem.
O tema é um dos enfoques do aprendizado em negociação, e deve se tornar mais evidente no futuro próximo, já que a nova geração parece ter esse ponto fraco. E mesmo que a gurizada ache que o mundo vai girar da forma como gostariam, isso nunca vai de fato acontecer. É como dar murro em ponta de faca.
Os laços digitais são dissimulados à exaustão. As relações entre pessoas, sejam pessoais ou profissionais parece que vêm se enfraquecendo, e talvez isso se dê porque, na sociedade atual, é muito difícil sobrar tempo para contatos pessoais à moda antiga, presenciais e utilizando o tempo necessário.
Percebo que as novas gerações, sejam a Z ou a Millenial, são igualmente marcadas por grandes doses de desapego (não vestir a camiseta), expectativas irreais, necessidade de ostentação, criticismo severo e pouca capacidade intelectual (a escrita é um horror).
Me refiro, por óbvio, à média. Muitas pessoas que pertencem a essas gerações apresentam comportamentos realistas e competitivos, mas configuram exceção.
Mas o problema não é a safra em si. É muito mais a dificuldade que existe